O homem que decide ser artista pode ser um louco, nada de heróis ou românticos como muitos ainda acreditam. O homem que decide ser artista não pode ter medo de envelhecer, de ficar prematuramente calvo ou grisalho, ou até mesmo de carregar as dores que afligem o corpo sedentário e a mente embotada de idéias. Ele não deve temer as olheiras profanas, nem as retinas embaçadas pelas lentes de óculos, tampouco as marcas faciais que moram logo acima das sobrancelhas. O artista não é necessariamente um homem de coragem, apesar de o simples fato de ter decidido ser, caracterizar certa destreza e astúcia. A loucura o cega, esconde a coragem e revela a inconseqüência. O artista é acima de tudo um alquimista, pois é capaz de transformar nada em algo que chamamos de arte, e vice-versa. O artista não deve ser um visionário, mas um cego, somente assim ele será capaz de apreciar e sentir o que os olhos estão cansados de ver.
