segunda-feira, 31 de agosto de 2009

a vida de baracui




Capitulo um


Todas as manhas baracui se acorda sentado, com a mao na cabeça finge que os pes estao no chao. O buraco debaixo dos seus pes se estende ate um vilarejo frio e desabitado. Quem consegue sentir um lugar desabitado sente a dor de uma flecha fria e seca passando pela lingua, dilacerando a garganta e atingindo o coraçao. Se pudesse provar certamente seria o gosto do sangue. Essa poucas informaçoes fizeram com que ele repensasse suas atitudes, seus medos, seus sonhos. Pronto, Baracui vive a repensar! Ninguem nunca ouviu falar que nao se pode ensinar bobagens a crianças? Corre um serio risco delas levarem esses ensinamentos bobos para a vida adulta. E foi o que aconteceu. Baracui levou quinze anos pra escolher o que iria fazer quando crescer, e depois que escolheu, passou outros quinze em duvida! Certamente culpa daqueles que lhes rogaram a praga infame de ser criança o tempo todo, a praga de ser feliz, de poder escolher a paleta que quer usar e assim que estalar, ir ate o meio da rua brincar, e comer, e chorar, e usar todas as roupas coloridas que lhe entrar, porque criança gorda e doença de adulto, e adulto criança e uma doença sem fim. Baracui chora todas manhas, as vezes nem sabe o motivo de tanto chororo. Mas ele tenta descobrir e acaba sempre se perdendo num picadeiro. Ele bem lembra que chorou ontem, e antes de ontem, e segunda passada, ele tenta se lembrar de um dia que nao chorou, em vao. Baracui sempre chora, mas tem esperança que um dia nao chore mais. Embora saiba que chorar sempre lhe trouxe um pouquinho de Alegria, principalmente quando as lagrimas se esgotavam e o soluço avisava que por hoje ja ta bom demais.